Priorizando com base em valor - Artigo - Gigante Consultoria

ARTIGOS

NOTÍCIAS DA GIGANTE

Priorizando com base em valor

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Fabrício Laguna

Palavras-Chave: Análise da Estratégia; Valor; Priorização; Gestão do Tempo

No contexto pessoal

Há muito tempo fui presenteado por um amigo com uma lição de vida. Na hora, pareceu mais uma bofetada moral que quebrou meus argumentos e me deixou sem fala, mas que me deixou refletindo por muito tempo e permitiu rever meus valores e passar a tomar algumas decisões importantes com mais consciência.
Me lembro que estávamos sentados na mesa de um restaurante no horário do almoço. Trabalhávamos juntos em um cliente e o tempo da refeição era momento propício para falar da vida e de assuntos alheios ao trabalho. Naquele dia eu estava me dedicando a um dos esportes nacionais mais populares: reclamar da vida. Nem me lembro exatamente do que eu reclamava, pode ser de que eu não via mais os amigos, ou que não estava mais fazendo esporte, que dormia pouco, que não frequentava o teatro ou algo do tipo. Não importa muito qual era a questão, me lembro bem do meu argumento para justificar minha reclamação: “-Não tenho tempo para fazer o que eu quero”.
Nessa hora, meu amigo desbancou meu argumento e me colocou para refletir: “Ninguém tem mais ou menos tempo do que qualquer outra pessoa. Todos temos 24 horas por dia. Nem mais, nem menos. O que se faz com este tempo é questão da prioridade de cada um de acordo com seu julgamento pessoal. Em vez de dizer que não tem tempo para fazer isso, você deveria assumir que, na verdade, não tem isso como prioridade.”
Cai do cavalo! Não foi fácil assumir que os amigos, a saúde, a cultura ou a família não estavam entre as minhas principais prioridades. Mas se eu não tinha tempo para eles, a verdade é que de fato, não estavam. Reclamar da falta de tempo me eximia de minha responsabilidade. O tempo é um fator externo, alheio a minha vontade ou gestão. Não sou soberano sobre o tempo. Contudo, na perspectiva apresentada pelo meu amigo de que não se trata de uma questão de tempo, mas de prioridade, a responsabilidade passa a ser toda minha.
A forma como distribuo meu tempo reflete meus valores mais profundos. Não os valores públicos e declarados da boca para fora, mas os valores privados e que de fato têm direcionado minha vida. Se falo que a amizade é meu valor mais importante, mas não dedico tempo algum para os amigos, isso mostra que meus valores têm sido outros. Repensar minha prioridade é basicamente repensar meus valores e dar maior ênfase no que é mais importante.
 

No contexto corporativo

Assim como eu ou você, organizações também têm seus valores e prioridades. A diferença é que nas organizações é fundamental tornar estes valores públicos e compartilhados por todos os colaboradores e criar processos estruturados para que a tomada de decisão sobre as prioridades esteja alinhada a estes valores.
Muita gente pensa que a lista de valores divulgada por sua empresa seja apenas propaganda publicitária para “seduzir” acionistas e clientes. Talvez seja mesmo! Se de fato os valores não refletirem na prioridade dada pela empresa para a alocação de seus recursos no portfólio de investimento, pode ser só da “boca para fora”.
Sugiro que pense diferente! Procure enxergar a definição dos valores corporativos não como uma ação publicitária, mas como uma ferramenta objetiva para a tomada de decisão e priorização corporativa. Antes de discutir e elencar quais projetos devem ser priorizados em seu portfólio, procure deixar claro e obter um consenso entre os tomadores de decisão sobre quais são os valores que devem direcionar a organização. Discutir e definir valores elevará o nível de conversa e trará reflexões mais profundas. Com os valores definidos, o processo de priorização deverá se tornar mais simples, transparente e repetível com menor esforço e mais consistência. Sei que não é tarefa simples, mas é fundamental que seja feito.

Em um artigo recente à revista Veja o jurista Joaquim Falcão conta que certa vez perguntou ao presidente do STF como se ditava a ordem dos assuntos que iam a plenário. “Ele próprio não tinha resposta e foi descobrir: era uma secretária da casa que escolhia o que seria discutido em cada sessão.” Veja o absurdo da falta de critério corporativo! O Supremo Tribunal Federal, atolado de processos, dos mais relevantes aos mais insignificantes, seguia um processo de priorização com critérios totalmente desconhecido por seus líderes. Segundo Falcão, esse processo já foi revisto, “...a partir dali a agenda do Supremo passou a obedecer às prioridades do país.” Para priorizar de maneira corporativa é preciso definir os valores, estabelecer medidas que avaliem de que forma cada item da pauta está associada a estes valores e, a partir daí, estabelecer o que é mais importante. Será que existe uma oportunidade para que você reveja também o processo de priorização em sua organização e em sua vida?

 


CLIENTES
ACESSE A GIGANTE NAS REDES SOCIAS
11 9 9659 8948
11 9 9659 8550
GIGANTE CONSULTORIA 2014. Todos os direitos reservados.
GONC - Criação e Design de Sites Netwish - Desenvolvimento de Sites